ausências
me encho
inflo
na minha terra as
armadilhas não explodem
hoje senti enjôos
por talvez não ser mãe
e não ter sido filha
não vivo no adequado
tropeço
remexo
rabisco
talvez mergulhe
para negar o oxigênio
e respirar natureza
Café Efervescente
um banho quente de tesão e ação de pensamentos absurdos
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Terça-feira, Maio 12, 2009
Sábado, Abril 25, 2009
diário de uma cromática
Diário de uma Cromática
Ela não lhe mostrava tudo o que gosta
Indicava pistas
Sob o rastro de um all-star
Semi- novo semi- limpo
Passeia pelo bar
Medindo colos
Cheirando virilhas
Velha demais para ser menina,
Continua longe de ser adulta
Sonha carícias mortas
Aduba amores futuros
Não veste pijama
No seu ínterim
Já tem terra de cemitério
E apesar de colorir desenhos
Vê certos dias em tons monocromáticos.
Tivera sua fase azul
O fato é que nunca aceitou pedaços
O bolo quando dela
Tem que ser inteiro
Dorme desnuda transparente
Faz cera ao acordar
Para evitar vestir-se
Nunca colheu amoras
Mas adoraria fazê-lo
Sua beleza é difícil
Estica arestas afiadas
Quando quer espantar pessoas
Apesar disso guarda sua doçura
Para os poucos de quem não abre mão.
Àqueles de quem não se desfaz
Promove festas diárias
E todo seu mel fica à mostra.
Ela não lhe mostrava tudo o que gosta
Indicava pistas
Sob o rastro de um all-star
Semi- novo semi- limpo
Passeia pelo bar
Medindo colos
Cheirando virilhas
Velha demais para ser menina,
Continua longe de ser adulta
Sonha carícias mortas
Aduba amores futuros
Não veste pijama
No seu ínterim
Já tem terra de cemitério
E apesar de colorir desenhos
Vê certos dias em tons monocromáticos.
Tivera sua fase azul
O fato é que nunca aceitou pedaços
O bolo quando dela
Tem que ser inteiro
Dorme desnuda transparente
Faz cera ao acordar
Para evitar vestir-se
Nunca colheu amoras
Mas adoraria fazê-lo
Sua beleza é difícil
Estica arestas afiadas
Quando quer espantar pessoas
Apesar disso guarda sua doçura
Para os poucos de quem não abre mão.
Àqueles de quem não se desfaz
Promove festas diárias
E todo seu mel fica à mostra.
Domingo, Janeiro 04, 2009
Domingo, Dezembro 07, 2008
Sábado, Novembro 29, 2008
DIFÍCIL ATERRIZAGEM
Esperava que me procurasse
Do mundo o que sobra
É um silêncio branco e opaco
Daquilo que deveríamos gritar
Mas que não sussurramos
Para ninguém
A dor nunca irá sair da carne
Mas às vezes é bom ser amaciado
Odeio essa solidão gelada
Porque ela não apaga minhas brasas
Os corpos precisam ser socializados
Os sentimenos também
Mas ninguêm está interessado nisso ao que parece
Agora sem asas
Me aprumo para aterrizar
Em qualquer um desses tédios
Dispostos no chão das cidades
A espera de um amor quente e seguro
Do mundo o que sobra
É um silêncio branco e opaco
Daquilo que deveríamos gritar
Mas que não sussurramos
Para ninguém
A dor nunca irá sair da carne
Mas às vezes é bom ser amaciado
Odeio essa solidão gelada
Porque ela não apaga minhas brasas
Os corpos precisam ser socializados
Os sentimenos também
Mas ninguêm está interessado nisso ao que parece
Agora sem asas
Me aprumo para aterrizar
Em qualquer um desses tédios
Dispostos no chão das cidades
A espera de um amor quente e seguro
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
SOBRE O FAZER ANOS
SOBRE O FAZER ANOS: RESPOSTA A MEU PAI
Nesta hora as coisas ficam elevadas de si
O mundo entra numa suspensão absurda
Não que dantes tivera algum sentido
Mas que, agora, mostra-se deveras irregular.
Não se tem muito em comemorar nesses dias próximos
Estar vivo é um estado de ficar só
Enlouqueço nessa época
Grito por colo
Mas o caos não propaga o som.
Os anos passam
Mortos são lembrados
Alguns vivos esquecidos
Quem são aqueles que importam?
Há um mundo na minha frente
E meu único desejo permanece sendo
Um abraço quente e aconchegante.
DE IVOR BARRETTI, O PAI PARA THAÍS, A FILHA:
Mais alguns dias e você completará anos.
Poderá recitar:
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
- Serei velho quando o for! Sentença potente, rija, altaneira. Serei velho quando o for! Quando me permitir ser velho! Quando eu me deixar envelhecer! Antes não!
Antes não.
Antes de ser velho (e ainda não o sou totalmente) fui menino, travesso, alegre, inconseqüente, em busca de mim mesmo.
Hoje envelheço!
Todavia sorrio contente, calmo, manso.
Você ainda não envelhece.
É preciso muitos anos para o envelhecer!
Você desabrocha, flor linda e sensual.
E os anos te acrescentarão gostosura.
Somente.
Sê feliz.
Amo você.
Nesta hora as coisas ficam elevadas de si
O mundo entra numa suspensão absurda
Não que dantes tivera algum sentido
Mas que, agora, mostra-se deveras irregular.
Não se tem muito em comemorar nesses dias próximos
Estar vivo é um estado de ficar só
Enlouqueço nessa época
Grito por colo
Mas o caos não propaga o som.
Os anos passam
Mortos são lembrados
Alguns vivos esquecidos
Quem são aqueles que importam?
Há um mundo na minha frente
E meu único desejo permanece sendo
Um abraço quente e aconchegante.
DE IVOR BARRETTI, O PAI PARA THAÍS, A FILHA:
Mais alguns dias e você completará anos.
Poderá recitar:
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
- Serei velho quando o for! Sentença potente, rija, altaneira. Serei velho quando o for! Quando me permitir ser velho! Quando eu me deixar envelhecer! Antes não!
Antes não.
Antes de ser velho (e ainda não o sou totalmente) fui menino, travesso, alegre, inconseqüente, em busca de mim mesmo.
Hoje envelheço!
Todavia sorrio contente, calmo, manso.
Você ainda não envelhece.
É preciso muitos anos para o envelhecer!
Você desabrocha, flor linda e sensual.
E os anos te acrescentarão gostosura.
Somente.
Sê feliz.
Amo você.
Segunda-feira, Novembro 10, 2008
DOS ARMAMENTOS
Domingo, Novembro 02, 2008
aos amigos novos e aos de sempre
Porque hoje foi assim
Ao ver-me desenhada na tela
Senti uma puta saudade do que eu era
De quem eu tinha perto
De como nós viviamos e como
Resolviamos as coisas
Tinha mais poesia do que poeta.
Não quero terminar nostálgica
Mas em noites como esta
Faz falta conviver com aqueles a quem se ama
De amigos a romances
Estávamos juntos porque gostavamos uns dos outros
Não tinha contrato nem permissão
Não era um negócio de dividir contas para viver mais barato
Nessa época estávamos juntos porque nos amávamos
E me impressiona que as pessoas possam
Viver sem nunca ter sabido disso
Sofro aqui nesse convívio contratualista
Que não envlove desejos de estar junto
Tudo não passa de quem irá pagar a luz no mês que vem
Tenho saudades dos amigos
Porque se com eles tudo fica fácil
Longe deles uma gripe pode ser mortal.
Ao ver-me desenhada na tela
Senti uma puta saudade do que eu era
De quem eu tinha perto
De como nós viviamos e como
Resolviamos as coisas
Tinha mais poesia do que poeta.
Não quero terminar nostálgica
Mas em noites como esta
Faz falta conviver com aqueles a quem se ama
De amigos a romances
Estávamos juntos porque gostavamos uns dos outros
Não tinha contrato nem permissão
Não era um negócio de dividir contas para viver mais barato
Nessa época estávamos juntos porque nos amávamos
E me impressiona que as pessoas possam
Viver sem nunca ter sabido disso
Sofro aqui nesse convívio contratualista
Que não envlove desejos de estar junto
Tudo não passa de quem irá pagar a luz no mês que vem
Tenho saudades dos amigos
Porque se com eles tudo fica fácil
Longe deles uma gripe pode ser mortal.
Domingo, Outubro 26, 2008
domingo cheiro de pedra quente

Amarro minha fita, agora sim estou pronta, armada para o desenrolo. Sento-me à escrivaninha e digo: só saio quando tudo estiver pronto. Mas de fato se fosse assim, apodreceria por aquele quarto com chãos de tacos soltos. Faz calor de forma intensa. Entre um texto e outro penso no bar, na cerveja, penso na Luana e na Iara depois de um almoço com corações de galinha. Alguns de quem gosto muito estarão fora por esses dias. Vai ser bom dedicar-me um pouco mais a mim. Mas, se não fosse o calor, seria mais fácil. A casa está sozinha... agradavelmente sozinha e em silêncio. Brindo na minha cabeça pelas parcas coisas que possuo, por aquelas que abandonei; brindo à minha corajosa vida covarde. De qualquer jeito ao anoitecer darei um pulo no bar dos argentinos, soube que teve batida policial ontem por lá, o clima vai estar tenso, quero saber dos acontecidos. Ouvir relatos e desaforos.
O melhor jeito de se conhecer o mundo é pelo cheiro, porque não dá para escolher o que cheiramos, o cheiro é nômade e invade nosso paladar sem nossa mediação: ou cheiramos tudo do nosso lado ou morremos por falta de ar. Mas agora faz calor e não há vento nas ruas. E por isso é preciso estar lá no meio das coisas para sabê-las ver.
O melhor jeito de se conhecer o mundo é pelo cheiro, porque não dá para escolher o que cheiramos, o cheiro é nômade e invade nosso paladar sem nossa mediação: ou cheiramos tudo do nosso lado ou morremos por falta de ar. Mas agora faz calor e não há vento nas ruas. E por isso é preciso estar lá no meio das coisas para sabê-las ver.
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